O cenário de nossas vidas frequentemente se assemelha a um grande campo de batalha. Assim como o exército de Israel se viu diante dos filisteus no vale de Elá, nós também enfrentamos os nossos gigantes diários. Jesus nos faz um convite consolador em Mateus 11:28 para entregarmos a Ele os nossos fardos, mas também nos chama para assumir nossa responsabilidade espiritual. A grande questão não é se enfrentaremos lutas, mas como nos posicionaremos diante delas.

A Palavra de Deus nos convida a uma profunda reflexão: no momento da adversidade, com qual geração nós nos parecemos mais? Com a geração de Saul, que recua e se esconde na tenda movida pelo medo, ou com a geração de Davi, que avança confiante no Senhor dos Exércitos? Diante das afrontas que se levantam de manhã e de tarde para nos paralisar, o Senhor nos chama para um posicionamento maduro, evitando as falhas que derrubaram a liderança do passado.

A Geração que Age por Precipitação 00:52:48

Em 1 Samuel 13:8, vemos o exército de Israel prestes a entrar em peleja. Samuel havia estipulado um prazo de sete dias para chegar e oferecer o sacrifício ao Senhor antes da batalha. No entanto, ao ver que o prazo terminava, que o povo começava a se espalhar e que os inimigos se juntavam em Micmás, Saul deixou-se dominar pela ansiedade. Temendo o pior, ele tomou uma decisão precipitada e ofereceu o sacrifício em lugar do sacerdote.

Logo em seguida, Samuel chega e o repreende duramente, declarando que aquela atitude lhe custaria a confirmação definitiva de seu reino sobre Israel. Há vitórias em nossas vidas que só conquistaremos quando aprendermos a esperar o tempo de Deus e a nos submetermos ao sacerdócio e à ordem divina. Muitas vezes, nós mesmos nos colocamos em situações difíceis — vales e desertos desnecessários — não porque Deus nos provou, mas porque tomamos decisões precipitadas no momento de tensão. A pressa e a falta de confiança nos tiram do propósito.

O Perigo do Despreparo e da Inconstância 00:57:46

Outro erro gravíssimo no governo de Saul encontra-se em 1 Samuel 13:22. No dia da batalha, apenas Saul e seu filho Jônatas possuíam espadas; todo o restante do exército de Israel foi para a guerra de mãos vazias. Como podemos nos apresentar em um cenário de guerra espiritual totalmente despreparados?

Muitas vezes, representamos uma geração que é intensa em querer fazer, mas fraca em buscar capacitação. Somos uma geração que deseja muito de Deus, mas se prepara pouco para reter o que Ele quer nos dar. Apresentar-se à batalha sem ferramentas ou com "espadas cegas" compromete a nossa vitória. Depender de Deus é maravilhoso e essencial, mas a dependência d'Ele não nos isenta do dever de nos prepararmos na Palavra, na consagração e na oração contínua.

Somado ao despreparo, vemos em 1 Samuel 14:19 a inconstância de Saul. Diante de um alvoroço no acampamento inimigo, ele ordena que o sacerdote traga a Arca de Deus (a qual simbolizava a presença divina). Contudo, no meio da frase, ao perceber que o barulho dos inimigos aumentava, ele desiste e manda suspender a ordem. Qualquer ruído do adversário era suficiente para tirar a paz de Saul, paralisar sua adoração e mudar sua rota. O inimigo é especialista em criar alvoroços para nos desestabilizar. Não podemos permitir que o barulho das crises externas roube nossa paz interior e nos faça desistir de buscar a presença de Deus.

A Falta de Discernimento Espiritual 01:08:07

Ainda em 1 Samuel 14:24, vemos Saul cometendo mais um equívoco tático e espiritual: no meio da guerra, ele impõe um jejum forçado sob juramento de maldição para todo o exército. Soldados não devem jejuar exaustos no meio de um combate aberto; eles devem se preparar antes da guerra. Tem faltado em nossos dias uma virtude inegociável chamada discernimento: saber o que fazer, como fazer e quando fazer.

Nossa espiritualidade não pode ser confusa e desalinhada. Às vezes, quando é tempo de agir e lutar, recuamos; quando é tempo de nos alimentarmos da Palavra, nós nos privamos. Jejuar de forma precipitada ou apenas para acompanhar a luta dos outros é vazio e ineficaz, tanto que, em 1 Samuel 14:37, vemos que Deus não respondeu a Saul naquele dia. Além disso, não podemos nos acostumar a delegar as nossas próprias batalhas para os outros. Muitos fogem da responsabilidade, esperando que pastores e irmãos orem por suas lutas enquanto descansam numa zona de conforto. É hora de parar de fugir e assumir a guerra que Deus confiou às suas mãos.

Um Coração Ensinável e o Posicionamento de Davi 01:16:05

Os erros da geração de Saul não estavam puramente em suas limitações físicas, mas nas raízes e intenções de seu coração. Por isso, em 1 Samuel 16:1 e 16:7, Deus envia Samuel à casa de Jessé, o belemita, alertando o profeta para não olhar para a aparência física ou para a altura. O ser humano julga pelo exterior, mas o Senhor sonda o coração. Mesmo que irmãos como Eliabe e Abinadabe tivessem porte de rei, foi a Davi, o pastor de ovelhas com um coração ensinável e voluntário, que Deus escolheu e ungiu.

Quando Davi chega ao campo de batalha diante de Golias (1 Samuel 17:45), ele não se intimida com a armadura pesada do gigante, com a sua altura ou com as ameaças que amedrontavam o povo por 40 dias. Enquanto a geração de Saul tremia e se acovardava, Davi se levanta e brada: "Você vem contra mim com espada, com lança e com escudo; eu, porém, vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você afrontou". Golias não é vencido pelo nosso medo ou pela nossa emoção, mas por um posicionamento inabalável em Deus! O Senhor não forja soldados escondidos fora da batalha, Ele conta com a nossa coragem para enfrentar a linha de frente.

Para aplicar

  • Evite o laço da precipitação: Nas pressões e angústias diárias, espere pela direção de Deus. Não atropele princípios tentando resolver as coisas na força do próprio braço.
  • Invista no seu preparo espiritual: Jamais vá para a guerra de mãos vazias. Busque o seu desenvolvimento em Deus; leia a Bíblia, dedique tempo à oração e mantenha a sua "espada" afiada.
  • Guarde a sua paz contra os alvoroços: Não permita que as más notícias ou os barulhos ao seu redor alterem a sua constância ou interrompam a sua busca pela presença de Deus.
  • Tenha discernimento em suas atitudes: Entenda os tempos e as estações. Saiba o momento certo de jejuar e de agir, e assuma ativamente a responsabilidade pelas suas próprias batalhas.
  • Posicione-se com coragem: Pare de se esconder dos gigantes que o afrontam. Declare o nome do Senhor dos Exércitos sobre os problemas e vença a intimidação através da fé.