Há momentos em que começamos a caminhada com coragem, experimentamos o agir de Deus e avançamos sobre aquilo que parecia impossível. No entanto, em algum ponto do percurso, as circunstâncias chamam nossa atenção, o medo cresce e sentimos que estamos afundando.
A experiência de Pedro em Mateus 14:28-31 mostra que uma crise não significa que Cristo se afastou. Mesmo quando perdemos a estabilidade, sua mão continua ao nosso alcance. O Senhor nos convida a voltar os olhos para ele, nossa verdadeira referência.
Pedro não começou afundando 00:38:42
Ao ouvir Jesus dizer “Venha”, Pedro saiu do barco e andou sobre as águas. Ele não começou afundando; começou caminhando. Viveu uma experiência extraordinária porque respondeu à palavra de Cristo.
Isso nos ensina que alguém pode experimentar algo grandioso com Deus e, posteriormente, entrar em um processo de afundamento. Uma experiência passada, por mais marcante que seja, não elimina a necessidade de continuarmos olhando para Jesus.
O problema de Pedro não começou quando seus pés tocaram a água, mas quando seus olhos deixaram Jesus e passaram a contemplar o vento. A tempestade já existia. As ondas já estavam ao redor do barco. O que mudou foi o foco de Pedro.
Também podemos começar bem e, durante o caminho, permitir que as pressões ocupem o centro da nossa atenção. O medo, a insegurança e as preocupações podem parecer maiores do que realmente são quando deixamos de considerar quem está diante de nós. Por isso, mais importante do que apenas iniciar é permanecer com os olhos firmados em Cristo.
Caminhar por uma palavra, não por impulso 00:41:19
Antes de sair do barco, Pedro recebeu uma palavra: “Venha”. Ele não agiu simplesmente movido pela emoção. Sua decisão foi uma resposta à direção de Jesus.
Existe uma diferença entre caminhar por impulso e caminhar fundamentado em uma palavra. O impulso não considera as consequências e pode nos levar a decisões precipitadas. A Palavra, porém, oferece direção e mantém Jesus como nossa referência.
Vivemos cercados por propostas, caminhos e possibilidades. Nem tudo o que parece atraente está ligado ao propósito de Deus para nós. Por isso, quando nos sentimos perdidos na vida familiar, emocional, profissional ou ministerial, precisamos voltar àquilo que o Senhor falou e buscar sua direção.
Pedro saiu porque Jesus disse que ele poderia ir. Sua segurança não estava na ausência de vento, mas na autoridade daquele que o chamou. Da mesma forma, nossa caminhada deve ser uma resposta obediente a Cristo. Quando a Palavra sustenta nossos passos, sabemos para onde olhar, mesmo que ainda existam águas agitadas ao redor.
A fé precisa nos colocar em movimento 00:48:41
A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, conforme Romanos 10:17, mas ela não deve permanecer apenas como uma convicção interior. A fé verdadeira transforma nossa postura e nos coloca em movimento.
Pedro não apenas acreditou que Jesus poderia sustentá-lo sobre as águas; ele colocou os pés para fora do barco. O barco representava aquilo que era conhecido e aparentemente seguro. As águas representavam o impossível. Pela fé, Pedro deixou a acomodação e caminhou na direção de Jesus.
Mover-se pela fé pode envolver perdão, reconciliação, rompimento com antigos padrões e obediência em áreas que nos causam desconforto. Pode custar muito, mas Cristo continua sendo a referência. Ele é o caminho, a verdade e a vida.
Isso não significa que toda tempestade terminará imediatamente. Pedro estava andando, mas ainda havia vento. Ele estava vivendo um milagre, mas ainda enfrentava uma tempestade. Estava próximo de Jesus, mas ainda precisava manter os olhos nele.
A fé não nega a realidade. As lutas, as perdas e as pressões são reais. Contudo, nenhuma delas deve ocupar o lugar do Senhor em nossa percepção. O vento pode ser forte sem se tornar o senhor da nossa vida. Jesus continua sendo maior.
A mão de Cristo é maior que o afundamento 01:11:40
Um dos momentos mais perigosos da vida espiritual acontece quando percebemos que estamos começando a afundar, mas ainda tentamos resolver tudo sozinhos. Pedro poderia ter tentado nadar ou enfrentar as ondas com suas próprias forças. Em vez disso, clamou: “Senhor, salva-me!”.
Essa é uma das orações mais breves e profundas das Escrituras. Pedro não apresentou explicações, justificativas ou argumentos. Apenas reconheceu: “Eu preciso de ti”.
Mesmo afundando, ele ainda sabia quem poderia salvá-lo. Isso é esperança. Podemos estar atravessando um período de afundamento sem estarmos fora do alcance de Cristo. Nossa instabilidade não significa que Jesus deixou de estar presente.
Imediatamente, Jesus estendeu a mão e segurou Pedro. O Senhor não permaneceu apenas observando sua dificuldade, nem o abandonou às consequências de sua dúvida. A força do vento não limitou a capacidade de Cristo, e a pequena fé de Pedro não anulou a graça de Jesus.
A mesma mão que salva também corrige. Depois de segurá-lo, Jesus confrontou sua dúvida. Cristo não queria somente retirar Pedro da água, mas ensiná-lo a confiar. A raiz do afundamento não estava no vento, nas águas ou na ausência do Senhor. Estava na mudança de foco que produziu medo e dúvida.
Nosso pior momento não é maior do que a mão de Cristo. O nível das águas, a intensidade da luta e a profundidade do sofrimento não determinam a distância de Jesus. Quando clamamos por ele, encontramos uma mão estendida, capaz de nos levantar e nos ensinar a caminhar novamente.
Para aplicar
- Examine para onde seus olhos estão voltados: para Jesus ou para as circunstâncias ao redor.
- Evite decisões impulsivas; busque uma direção fundamentada na Palavra de Deus.
- Transforme sua fé em obediência prática, mesmo quando sair da acomodação tiver um custo.
- Reconheça as lutas sem permitir que elas se tornem maiores, em sua percepção, do que Cristo.
- Se estiver começando a afundar, não tente enfrentar tudo sozinho. Clame com sinceridade: “Senhor, salva-me!”.
