Muitas vezes, ao nos depararmos com os princípios estabelecidos na Palavra de Deus, podemos nos perguntar o motivo pelo qual o Senhor nos pede determinadas entregas. É essencial compreendermos uma verdade plena: Deus não instituiu as ofertas de primícias pelo fato de precisar delas. O Senhor é o causador, o criador e o provedor de absolutamente tudo o que temos. Ele não precisa de nada que possuímos. Então, por que entregamos as primícias?

A resposta é que Deus estabelece esse princípio para provar o nosso coração, exatamente naquelas áreas em que demonstramos um grande apego. De tempos em tempos, o Senhor provará algumas áreas da nossa vida, não para nos diminuir ou nos tornar pessoas inferiores, mas para nos fazer pessoas melhores. Toda provação que vem de Deus tem como finalidade aperfeiçoar a nossa caminhada. Portanto, lembre-se desta poderosa verdade: Deus não precisa dos nossos primeiros frutos; nós é que precisamos d'Ele em primeiro lugar em nossas vidas.

O Propósito do Coração e a Fila da Obediência 00:01:47

A importância da lei das primícias no Antigo Testamento não estava concentrada naquilo que seria feito fisicamente com a oferta, mas no princípio sagrado de não a utilizarmos em benefício próprio. Qual era a consciência de um hebreu ao entregar a sua primícia? A sua mente não estava atrelada ao que o sacerdote faria com aquilo. Para o judeu que ofertava, pouco importava se o sacerdote iria comer daquela primícia ou como ela seria dividida.

O que realmente importava para aquele ofertante era estar na fila da obediência ao princípio. A bênção não é ativada pelo destino material da oferta, mas pela posição do ofertante diante do Senhor. Assim também deve ser conosco hoje. O que nos interessa é estarmos na fila dos obedientes, para sermos beneficiados espiritualmente por termos honrado a Deus.

A Diferença Entre Dízimo, Oferta e Primícias 00:03:23

Para vivermos plenamente as promessas de prosperidade de Deus, precisamos distinguir os princípios bíblicos que envolvem nossas finanças e sementes:

O dízimo representa a nossa fidelidade. É a obediência à ordem de Deus para que seja entregue a décima parte da nossa renda na Casa do Senhor, visando a manutenção da obra. O dízimo nos dá a legalidade espiritual para a repreensão do devorador, do migrador, do cortador e do destruidor.

A oferta, por sua vez, tem a função de uma semente. Enquanto o recurso está no nosso bolso ou na nossa conta, ele é apenas nosso. Porém, quando chega ao altar, torna-se uma semente plantada. E toda semente, uma vez que for plantada, no seu devido tempo, irá gerar o fruto para aquilo que foi projetado. Quando o Senhor nos pede uma semente, Ele já tem uma colheita pronta para derramar sobre nós.

As primícias são os primeiros e melhores frutos. É a primeira porção oriunda de uma colheita ou de um ganho, oferecida a Deus em sinal de profunda gratidão, dedicação e fé, reconhecendo que Ele é a fonte de tudo.

As Primícias e o Sacerdote 00:05:18

Ao olharmos para a Bíblia, vemos que Deus estabeleceu a lei das primícias também para o cuidado e sustento dos sacerdotes. Da tribo de Levi, da qual vinham os sacerdotes, Deus não concedeu nenhuma porção de terra como herança, diferentemente das outras onze tribos. Para os sacerdotes, Deus disse: "Eu serei a vossa porção". Assim, o Senhor instituiu que as demais tribos se dedicassem anualmente a cuidar daqueles que Ele escolhera para serem o elo de ligação entre o povo e os céus.

Quando o povo levava suas ofertas à tenda da congregação, independentemente de sua condição — alguns levavam riquezas, outros apenas feno ou palha, de modo que ninguém se apresentasse de mãos vazias —, o sacerdote recolhia tudo e se apresentava diante de Deus no Santo dos Santos. Ao entregar as primícias, o povo dizia a Deus: "Primeiro, sou grato porque o Senhor é a origem do que tenho. Em segundo lugar, agradeço pelo sacerdote que o Senhor escolheu para ser nosso porta-voz".

Conforme lemos em Ezequiel 44:30, as primícias devem ser entregues ao sacerdote com uma intencionalidade clara: "para que faça repousar a bênção sobre a tua casa". Nossos pastores recebem essa primícia e, com gratidão e autoridade espiritual, invocam a bênção sobre nossa família, nossos projetos, nossa saúde e nossos casamentos. Como nos lembra o Salmos 139, Deus nos sonda e nos conhece profundamente; Ele vê a pureza do nosso coração ao honrarmos a liderança que Ele mesmo estabeleceu.

A Promessa Estendida a Todos em Cristo 00:15:33

Talvez você se pergunte: "Mas essa não era uma lei apenas para o povo de Israel?". A resposta está na revelação da Nova Aliança. Em Efésios 2:11-21, o apóstolo Paulo nos lembra de que nós, os gentios (não judeus), estávamos separados de Cristo, éramos estrangeiros e sem parte nas alianças da promessa de Deus. Vivíamos no mundo sem esperança e sem Deus.

Mas agora, unidos com Cristo Jesus, fomos trazidos para perto pelo sangue derramado na cruz. Cristo derrubou o muro da inimizade, unindo os povos em um só corpo. Por meio d'Ele, somos cidadãos que pertencem ao povo de Deus e membros de Sua família! Fomos enxertados na videira.

Portanto, todas as bênçãos e princípios de prosperidade estabelecidos no Antigo Testamento passam a ser direito nosso pela fé em Cristo. Nós somos como um edifício construído sobre um alicerce firme. É o próprio Senhor quem mantém o edifício todo bem estruturado e faz com que ele cresça, como um templo dedicado a Ele. Por isso, creia: haverá amadurecimento e crescimento para a sua vida, para a sua casa e para o seu futuro!

Como Praticar a Entrega das Primícias 00:27:44

Na prática, a entrega da primícia faz com que três coisas aconteçam simultaneamente: Deus é honrado como o originador da bênção; o sacerdote é abençoado para que não falte sustento em sua mesa; e o primiciador recebe o derramar da provisão de Deus sobre a sua família.

Diferente da sociedade agrícola antiga, hoje vivemos majoritariamente num sistema mensal. Como, então, calcular as primícias de um salário? A matemática mais simples é dividir a sua renda por trinta dias, encontrando assim o valor referente ao seu primeiro dia de trabalho daquele mês. É esse valor que você consagra ao Senhor.

Porém, se você é autônomo, recebe por diária ou tem seu próprio negócio, pode consagrar, pela fé, o seu primeiro ganho de um projeto, a sua primeira venda do dia ou até estipular um propósito no coração. O que move o coração de Deus não é o cálculo exato ou o valor financeiro, mas a sua obediência espontânea.

Devemos fazer isso com um coração limpo. Não faz sentido sentirmos peso ou amargura ao abençoarmos a vida pastoral e a igreja. Quando compramos um remédio na farmácia ou pagamos a mensalidade de uma escola, sabemos que ali estão embutidos o aluguel do espaço e o salário dos profissionais, e pagamos pelo benefício que recebemos. Da mesma forma, honrar os sacerdotes, que dedicam suas vidas a cuidar de nós espiritualmente, deve ser motivo de alegria e profunda gratidão. Se o nosso coração estiver amargurado, a entrega perde seu valor. Faça porque você ama a Deus e deseja estar alinhado à Sua Palavra.

Para aplicar

  • Avalie a posição do seu coração: Antes de entregar suas primícias, dízimos ou ofertas, ore a Deus e certifique-se de que sua motivação é a gratidão e a obediência, e não um mero cumprimento de regras.
  • Calcule sua primícia com propósito: Se você é assalariado, separe o valor correspondente ao seu primeiro dia do mês. Se for autônomo, consagre o seu primeiro ganho a Deus antes de realizar qualquer outra despesa.
  • Honre a sua liderança espiritual: Entregue suas primícias reconhecendo o trabalho e a unção dos pastores que Deus colocou sobre a sua vida, permitindo que eles abençoem você e a sua casa.
  • Plante com expectativa de colheita: Entenda que, ao colocar a sua oferta no altar, você está plantando uma semente. Tenha fé de que Deus fará essa semente frutificar no tempo certo para todas as áreas da sua vida.